Outrora havia árvores altaneiras, capazes de abrigar pensamentos em repouso — mas tu, afinal, entraste no olhar de quem? E confundiste o coração de quem? Teu nome, um chamamento, desfaz as linhas da t
O inverno faz com que a noite chegue cedo; o crepúsculo desce silencioso, enquanto os lampiões da rua ainda não se acenderam. O bulício do dia esvai-se, e uma névoa cinzenta envolve a cidade. O vento norte uiva, fazendo as ramagens à beira da estrada tremerem convulsivamente; o frio penetra, agudo, pelas golas e punhos das roupas, cortando até os ossos. Os transeuntes, encolhidos, apertam com força as mangas dos casacos de algodão, apressam o passo, ansiando por abrigo.
De longe, surge veloz um riquixá amarelo. O condutor, de peito aberto ao vento, segura firme o varal e avança a grandes passadas; seus pés descalços batem no chão num compasso harmonioso de “ploc-ploc-ploc”.
No assento do riquixá, repousa um cavalheiro de chapéu de abas largas, trajando terno. Ele se recosta com indolência, o olhar perdido na noite; a seus pés, repousam duas caixas de vime, sugerindo o regresso de uma longa viagem.
As luzes da rua começam a acender-se, uma a uma.
Uma patrulha de soldados colaboracionistas cruza a rua, passando rente ao riquixá.
O semblante do homem se enrijece; cerra os punhos, refreando a indignação que brilha em seus olhos negros. Com um gesto, abaixa a aba do chapéu e murmura, em voz baixa: “Por favor, apresse-se, meu senhor!”
“Pois não, senhor... Não se preocupe, logo chegaremos!” responde o condutor, arfando enquanto redobra o esforço, correndo célere pelas ruas, o som ritmado de seus passos ecoando na noite. Após cruzarem mais duas avenidas, adentram uma viela profunda, até deter-se diante de um portão imponente. Sobre o alto port