O Perfume Fúnebre à Beira do Travesseiro

O Perfume Fúnebre à Beira do Travesseiro

Autor: Rebite
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Desde pequeno, tive uma esposa com quem jamais me encontrei. No ano em que completei quinze anos, meu avô faleceu, e tornei-me genro em sua casa, entrando como marido por portas invertidas...

Capítulo Um: O Extermínio da Família

Nos fundos da minha casa ergue-se uma encosta coberta por uma tumba solitária, meticulosamente restaurada; o avô dizia que ela suprimia o veio maligno da montanha, e só graças a ela o povoado vivia em paz.
A cada primeiro dia do mês, o avô levava-me para acender incenso, e, após queimar o papel votivo, afagava meus cabelos e murmurava: “Dentro de alguns anos, o avô já não poderá mais te reter aqui.”
Sempre que escutava tais palavras, desatava a chorar, dizendo que nunca partiria, que queria ficar ao seu lado.
O avô ria-se então, satisfeito, e repetia, acariciando minha cabeça: “Você é o pequeno consorte, quando fizer quinze anos sua esposa virá te buscar.”
Pequeno consorte era meu apelido de infância; em tenra idade, os companheiros de brincadeiras gritavam-no com entusiasmo, o que me enchia de orgulho. Mais tarde, porém, soava estranho aos meus ouvidos, e proibi que me chamassem assim; ninguém mais ousou, como se temessem algo.
Agora, à beira dos quinze anos, o avô mandou-me largar os estudos e retornar para casa. Não sei o motivo, mas nos últimos seis meses todos no vilarejo passaram a me temer, fossem jovens ou velhos; ao me verem, mostravam-se submissos e silenciosos.
O avô também se tornou estranho, preparando para mim um traje de noivo: vermelho por fora, branco por dentro.
Faltando sete dias para meu aniversário, pediu-me para experimentar a roupa, quase como se o casamento se aproximasse de fato. Mas se já havia o noivo, onde estaria a nova esposa?
Ainda que achasse o avô senil, no fundo sentia certa expectativa; se realmen

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