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Fazia frio, eu estava enrolado no casacão militar, preparando um balde de miojo instantâneo para comer quando ouvi, do lado de fora, batidas insistentes na porta.
— Quem será a esta hora da madrugada? — murmurei, com o cigarro entre os dentes, indo abrir.
Lá fora caía uma garoa fina; o céu estava negro. À luz fraca da lâmpada cor-de-rosa da entrada, consegui distinguir, com dificuldade, uma moça envolta num casaco acolchoado preto.
— Veio para uma massagem? — perguntei.
Tremendo tanto que os lábios lhe estavam arroxeados, ela ergueu o rosto e olhou para a placa pendurada sobre a porta.
— É aqui o Centro de Massagem e Bem-Estar Yashi?
— É. Entre.
Escancarei a porta para deixá-la passar.
A moça parecia ter uns vinte e três, vinte e quatro anos; usava os longos cabelos tingidos de roxo, os olhos grandes, cintilantes, com um ar obediente e manso.
— Sente-se ali onde achar melhor. Vou comer alguma coisa.
Ela, muito comportada, escolheu uma cadeira razoavelmente limpa e se sentou, olhando o quarto com curiosidade.
Abri uma salsicha de peixe, parti em alguns pedaços e joguei dentro do balde do miojo, comendo tudo às pressas.
— Fui indicada por um conhecido — disse a moça. — Disseram que, se eu mencionasse o Segundo Tio, o senhor saberia quem era.
Segundo Tio era um velho amigo da família do meu avô. Sempre me tratou com muito cuidado. Desde que me emprestou dinheiro para abrir esta casa de massagens, vivia me mandando clientes de tempos em tempos.
Mas a minha casa tinha regras; nem todo mundo er