Eu tenho um marido invisível do mundo yin, que vem me atormentar todas as noites. Para sobreviver, minha mãe chamou um espírito guardião da família, e eu passei a usar uma pulseira de jade com motivo
No dia em que nasci, alguém deixou um par de sapatos de papel diante da porta da minha casa.
Eram curvados nas pontas, com a sola vermelha e flores brancas de papel. Sob a sola, havia uma tira de papel vermelho, da largura de dois dedos, onde estavam escritos a minha data e hora de nascimento, junto de uma linha de caracteres negros, firmes e sombrios, dizendo que, quando eu crescesse o bastante para calçá-los, viriam me levar.
Meu pai ficou furioso. Jogou um balde de água suja para fora de casa, praguejou como nunca, e, achando pouco, pisoteou aqueles sapatos até reduzi-los a trapos, depois os chutou para dentro do braseiro.
Mas, no dia seguinte, um par idêntico de sapatos vermelhos de papel apareceu no pátio.
Sola vermelha, flores brancas, bicos voltados para dentro, dispostos com perfeição.
Lá fora soprava um vento cortante do norte; areia e pedregulhos rodopiavam pelo quintal, mas os sapatos não se moviam nem um milímetro, como se estivessem pregados ao chão. A cena era de uma estranheza indescritível.
Os moradores da aldeia disseram que aquilo era coisa do além e aconselharam meu pai a chamar uma curandeira para ver. Mas ele se recusou a acreditar em qualquer superstição; agarrou os sapatos de papel e os atirou na latrina.
Naquela mesma noite, coisas estranhas começaram a acontecer na minha casa.
Dezenas de gatos vadios se empoleiraram no muro, com os olhos verdes brilhando no escuro, encarando de forma arrepiante o meu quarto, emitindo miados finos, quase como choros de bebê, e gritando a noite inteira.
Panelas,