No segundo ano de Tianqi da Grande Ming, a fumaça da batalha de Sarhu já havia se dissipado havia muito tempo, mas sofrimentos ainda maiores desceram sobre as terras de Liaodong da dinastia Ming. Kaiy
No décimo segundo ano de Tianqi, em Liaodong, para além da passagem de Shanhai, estava o posto da Duna da Presa Azul.
A Duna da Presa Azul era um posto de fronteira; tirando o fato de ficar um pouco mais perto do mar, não diferia muito dos milhares de postos erguidos pelo Grande Ming ao longo das Nove Fronteiras.
Alta, com mais de dez metros, tinha a forma de um monte invertido. Em torno dela havia um muro baixo, de mais de trinta metros de extensão, e, para além do muro, cavara-se ainda um fosso, o que lhe dava um aspecto imensamente sólido, fácil de defender e difícil de atacar.
Mas essa era apenas a parte externa; no interior do posto, o cheiro era algo difícil de descrever.
O fedor das fezes de bois e cavalos, o odor azedo e rançoso do lixo dos soldados da fronteira, tudo misturado em sujeira e imundície, era tão pesado que nem mesmo o vento frio do primeiro mês lunar conseguia dispersá-lo.
Naquele momento, o chefe do grupo de guarda do posto, Zhong Dacheng, conversava em voz baixa com outros dois soldados.
— Já passou da hora do meio-dia. Aquele lá dentro ainda não acordou?
Zhong Dacheng esfregou as mãos e soltou baforadas de ar quente.
— Ainda não, chefe. O senhor sabe: esse sujeito está aqui no nosso posto há mais de dez dias e todos os dias fica num torpor vazio. Só acorda na hora da refeição. Se a comida não presta, ainda faz cara feia; e, se lhe dá na telha, sai distribuindo pancadas em todo mundo. É mais difícil de servir do que o antigo senhor que eu servia antes.
Um dos soldados, encolhido num casacão gro