Na vida passada, ela foi a imperatriz, regente por dezenas de anos. Nesta vida, porém, tornou-se uma filha ilegítima humilhada por todos! O pai não a estimava, a esposa principal era maldosa, e até u
Dor. Uma dor como se tivessem despejado chumbo derretido dentro da cabeça.
Dor e peso ao mesmo tempo.
Murong Yue abriu os olhos de súbito; diante dela já não havia o palácio magnífico em que vivia, mas uma casa estreita e desconhecida.
Mal franziu a testa, ouviu vozes vindas de fora.
“Você, desgraçada, come e bebe às minhas custas, criada no pátio como uma jovem senhorita, e ainda vem fazer mal à minha filha!”
Vendo que a filha não despertava, a Concubina Liu já estava fora de si.
“Quero ver se esses seus olhos ainda enxergam ou não! Venham, arranquem-nos para mim!”
“Perdão, concubina, perdão!”
A voz furiosa da mulher misturava-se ao choro e às súplicas de uma moça.
Ao mesmo tempo, na mente de Murong Yue surgiu uma torrente de memórias. A dona original do corpo tinha o mesmo nome que ela e era a filha bastarda da segunda casa da família Murong, uma linhagem ilustre e distinta.
Mas, embora fosse uma jovem senhorita, a dona original não era de forma alguma querida. Pelo contrário, por causa da posição humilde da concubina e de seu temperamento excessivamente submisso, transformara-se na pessoa sobre quem todos na família Murong podiam pisar sem hesitar.
Desta vez, a dona original apenas queria pegar uma coisa guardada num baú colocado em lugar alto, e chamou a criada de perto, Outono Crisântemo, para ajudá-la com a escada. Só que a criada a sustentou por um tempo e depois foi arrastada para fora por alguém, para comer sementes de girassol e fofocar.
Quando voltou, já encontrou a dona original caída de