Compreender o futuro e antecipar-se aos acontecimentos, aproveitando ao máximo as oportunidades, era o privilégio daqueles que circulavam pelos rumores secretos do espaço da reencarnação. Para Xú Yue,
Removendo uma a uma as tábuas de madeira que serviam de porta, o pequeno consultório de Xu Yue iniciava mais um dia de trabalho. A névoa branca envolvia tudo, umedecendo as tábuas, e ao inspirar aquele ar carregado de sal e umidade marítima, os olhos de Xu Yue vagueavam sem foco, perdidos e confusos.
Já fazia algum tempo que ele havia chegado a este mundo. Munido de conhecimentos médicos muito à frente desta era, conseguiu se firmar aos poucos, adquirindo aquele pequeno consultório dentro do bairro estrangeiro. Xu Yue era um viajante entre mundos; antes de atravessar, fora um órfão criado em um asilo, guiado pelo talento e pelo caminho traçado pelo diretor. Como um marionete, estudava sem entusiasmo, recebia bolsas de estudo sem emoção, graduava-se sem paixão, entrava no hospital, recebia presentes de pacientes, até tornar-se um cirurgião de alguma reputação, sempre sem brilho ou propósito.
Desde pequeno, nunca teve personalidade própria, nem ideias, nem caminho. Parecia que, com cada passo apático, as emoções humanas naturais se perdiam e dissipavam. Sem laços de sangue, sem amizades, sem objetivo de vida. Restava apenas uma interminável máscara, um fingimento sem fim.
Passivamente, transformou as expectativas do diretor e dos demais órfãos nas metas de sua existência, escalando sempre, avançando sem parar. Talvez, como compensação pela falta de sentimentos, sua capacidade de aprender era extraordinária, quase uma memória fotográfica. Conhecimentos técnicos abundantes, além de romances e animes que assistia para passar o tempo, tudo permanecia gravado