Gênio. Recluso, solitário, obstinado, enlouquecido. A cada mudança de era, é ele quem ergue a bandeira da cruz invertida. Se triunfa, torna-se soberano entre nobres e generais; se fracassa, jaz entre
3 de dezembro, nublado.
Quando abri os olhos já passava das dez da manhã. Nem precisei abrir as cortinas para saber que o céu lá fora estava coberto por uma densa camada cinzenta. O ar úmido penetrava a casa, o edredom, e até os meus ossos.
Restavam-me apenas duas opções: preparar uma xícara de café para mim ou fechar os olhos e esperar que, ao acordar de novo, já fosse quatro de dezembro.
No fim das contas, levantei-me. Como de costume, sentei-me na loja, rezando para que ninguém viesse dar atenção a este lugar decadente.
As tardes nubladas são como aqueles minutos de espera na fila para tomar uma injeção quando se é criança, ou como os segundos de silêncio antes de um monstro aparecer em um filme de terror.
Você sabe que algo ruim vai acontecer, mas nunca consegue prever quando cairá a primeira gota de chuva.
Graças ao clima, as horas passaram rápido; até as quatro da tarde, realmente nenhum cliente apareceu.
Para mim, foi um tempo de puro deleite: pude sentar atrás da minha escrivaninha, ler em silêncio, saborear um café, sem que ninguém me perturbasse.
Às quatro e meia, alguém entrou pela porta. Pois bem, passei a odiá-lo.
No entanto, ele trouxe consigo uma surpresa: não veio comprar livros, mas assaltar-me.
Quando o sujeito caminhou em minha direção, sacando uma arma, tive vontade de reclamar. Ultimamente está cada vez mais difícil lidar com cadáveres; tanta gente me forçando a isso, está ficando complicado.
Fiz as contas: arrancar dentes, raspar pelos, serrar em seis partes, tudo isso levaria uns tri