Aqui há um deus das nuvens que segura um rádio para anunciar o tempo, um espírito sombrio com um bastão elétrico. Há também um deus do fogo com um lança-chamas às costas, um mestre taoísta que usa uma
O dia do Ano Novo mal havia passado.
O imenso Rio Yangtzé se estendia, envolto em névoa tênue e nuvens aquáticas sem fim. À sombra da muralha de pedra à beira do caminho, Jiang Chao estava sentado sozinho numa gruta de onde a imagem do deus havia desaparecido, observando em silêncio as águas revoltas do rio descerem impetuosas.
Do outro lado, uma comitiva de carruagens e cavalos seguia pela margem do rio e parou diante de Jiang Chao. No início, os recém-chegados não o notaram, pois ele estava ali, envolto em um cobertor bordado, sentado à beira da gruta com as pernas cruzadas, imóvel, com o rosto sereno — parecia ele próprio uma estátua sagrada.
Somente quando perceberam que se tratava de uma pessoa viva é que todos voltaram os olhos para ele. Imediatamente, a primeira impressão de Jiang Chao ficou estampada nos rostos: era um forasteiro de riqueza ou nobreza.
A riqueza se via no cabelo negro e lustroso, perfeitamente aparado, nas unhas limpas, sem qualquer traço de sujeira, na pele macia, sem marcas do tempo ou do sol. A nobreza estava no porte e na expressão, que jamais poderiam ser cultivados nos campos ou vielas; seus olhos plácidos fitavam, sem se abalar, a caravana que passava em meio a criados e escoltas.
Quanto ao motivo de ser considerado forasteiro, era simples: entre as famílias abastadas e nobres do condado ocidental, não havia figura semelhante, nem seria possível encontrar alguém assim. Pelo menos, aos olhos dos recém-chegados, casas modestas jamais criariam alguém com tal presença.
— Ei! — exclamou o chefe da comitiva, p