Um campo verde de 120 por 53 jardas, um gol em forma de U com intervalo de 18 pés, o soar do apito, quatro períodos de sessenta minutos, onze jogadores em campo, uma equipe técnica de trinta pessoas,
Beverly Hills, Hotel Waldorf, salão de banquetes no nono andar, 1994.
Oito e quarenta e cinco da noite, o baile de retorno à escola estava em pleno andamento.
Ao som hipnotizante e irreverente da música eletrônica dos anos 70, "Dancing Queen" do grupo ABBA, Ethan O'Connor adentrou o salão. Era um homem de pelo menos um metro e noventa, vestindo um traje Cowitz antiquado, claramente pequeno para seu porte, o tecido esticado pelo peito largo. Os cabelos dourados, um tanto desarrumados, pareciam intencionalmente bagunçados, dando-lhe um ar descontraído; a pele era alva, sem sinais de sardas, o rosto magro e alongado, traços definidos como uma escultura renascentista, olhos profundos de um azul celeste.
Recordava-se da última vez que ouvira aquela música: era Natal no primeiro ano da faculdade, e justamente naquele dia conhecera sua futura namorada. Já se passaram quase dez anos, os filhos dos outros já cantam "O Guerreiro Solitário", enquanto ele seguia sozinho. Agora, encontrava-se trinta anos antes, do outro lado do oceano.
Por sorte, podia recomeçar. Por azar, era obrigado a recomeçar.
Mas naquela noite, não estava ali para dançar, nem para ouvir música. Estava ali para ganhar dinheiro.
Ao erguer o casaco, revelou um saco plástico verde com o logotipo amassado da "Farmácia Walgreen". Dentro, quase trinta caixas coloridas de preservativos Troy, além de comprimidos individuais de levonorgestrel, como "Escolha Outra Vez", "Plano B", "Meu Caminho" – todos medicamentos sem pre